sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DESABAFO DE UM FORMANDO


Ao meu querido ensino médio


Você permanece anos e anos estudando, torcendo que o meio e o fim do ano cheguem logo, pois são as épocas de férias. Sabe que no próximo ano ainda há uma série a concluir. No entanto, quando se encontra na última, você luta para que as aulas durem o máximo: fala, brinca, zoa e estuda - um pouco, é claro!


Mil e uma ideias vêm à sua cabeça: “esse é o meu último ano; participarei de todos os eventos da escola - desfile, quadrilha, gincana, interclasse, bagunça... unirei a turma de um jeito que a solidão... se sentirá só entre nós... Mandaremos na escola; seremos os garanhões; os destaques; todos vão querer nos conhecer, falar com a gente, estar conosco”.


Contudo, quando o ano acabar, você será aprovado e achará que tudo continuará como dantes. Estará enganado; tudo muda! Caso vir um de seus colegas em menos de seis meses, será muito. Todos o esquecerão. Você ninguém se tornará.


“- Caramba! O que faço agora? Só sei estudar e pronto. O que farei? Quero tudo aquilo de volta para minha vida”. O futuro é um ponto de interrogação; sempre uma charada.


Instala-se no peito uma enorme nostalgia. Minha segunda casa, disseram-me um dia, mas não levei a sério. Só agora vejo que estavam certos.


O problema da falta de memória é que conhecemos pessoas e coisas novas, junto de momentos até então não experimentados, fazendo com que esqueçamos tudo aquilo passado em nossa segunda casa: todos os momentos felizes de nossa infância à adolescência.


Tantas pessoas conheceu. Tantas namorou. Tantas amizades. Professores se tornaram pessoas mais chegadas. Frequentou a casa de colegas e eles a sua. Mesmo que algum de seus colegas tenha o decepcionado, você não muda; é muito forte para sofrer pelo erro dele. Você preza a amizade, isto é... ou seja, é um grande ator. Mas o tempo continuará a passar.


Você é uma utopia. Paga mico para que seus colegas e companheiros riam juntos daquilo feito ou dito. Então, é neste momento que você se alegra pelo simples fato de tirar um sorriso de alguém... E nós, amigos... nós nos realizamos...

(Primeiros Momentos, 2001)