segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MINHA DOUTRINA

Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é singular!
É consciente de seus fatos e atos,
intermediária entre o próprio doce do amor,
que não é melado, nem pouco sem sabor.
É imaginária e inefavelmente harmoniosa.
Associável a todos que a buscam.
Não se importa com a luxúria,
muito menos com a pobreza,
pois tais engloba na vida material.
Amar sem se importar com o amado:
feio, alto, bonito, magro, o amado é sempre igual.
Envergonho–me em generalizá–la,
pois mentes são como impressões digitais,
uma sempre diferente da outra.
Cada um tem sua própria opinião,
mesmo que seja manipulado a outra,
no seu âmago há uma suscitada.
A opinião pedagógica pode construir como destruir.
As faculdades religiosas são assim...
O importante é o resultado beneficiador,
para a arrecadação das mentes duvidosas,
que vagam entre pontos de interrogação,
e, dependendo da religião iluminada,
desvanecem, abraçando a ignorância com a fé,
desanuviando as interrogações dos seus céus.

Minha doutrina não é de todos!
Mas deveria ser plural!
Envergonho–me de assumi–la,
pois a generalizada é a conhecida.
Numa desenfreada vida corrida,
é tão difícil sentir a própria,
que viver é tão simples como respirar.
Querem viver, mas não ligam para a vida.
Somente querem construir a vida material,
e porque muitos não têm o hábito de admirar coisas simples.

Digo vida, união da matéria com o espírito,
que proporciona o toque e o sentido,
a admiração da pura e bela criação.
A vida é efêmera, deve ser vivida.
Tem que haver amor, paixão, calor,
mas não há verdade, sinceridade.
Então, como pode ser o que digo,
puramente, sensivelmente, realidade?

Sim, provo eu, recordando o início.
Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é para loucos!

Mas sabendo que em cada religião existente
há uma pessoa para dizer o mesmo que eu,
que somente com a verdade,
que somente com o caráter, a veracidade da palavra,
com o sentimento que arde dentro do corpo,
de querer fazer e ver o bem,
de ser livre para viver,
inexplicável sentimento bondoso,
que só lá de dentro é que vem.
Que somente com o amor,
amor puro, sem destino,
é que poderemos viver em júbilo e paz.

Minha doutrina não é de todos!
Foi feita para mais do que isto!
Mas somando com os que pensam e a seguem sem saber,
não somos tão poucos assim...

Minha doutrina não é de todos!
Minha doutrina é para tolos!


(Primeiros Momentos, 2001)