sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SABEMOS QUEM SOMOS

A maldição, infelizmente, é uma benção
na boca de quem ama a ignorância,
porque não tem palavra, tem arrogância,
para dizer o que tem em mente, em vão.

O homem, que não tem nada a perder,
é a mais perigosa, deste mundo, criação.
Em qualquer sociedade, dez desses precisos não são
para a transformação, para o mundo padecer.

A prisão de nossa mente é predominante,
mas procuramos não ter medo da cultura dominante.
O que ela fará conosco? O quê?
Que já não tenha feito. O quê?

Ensina que os negros viviam em cavernas,
que se balançavam em cima das árvores.
Que os índios eram selvagens aborígines,
enquanto os brancos eram, dos cantos da Terra, patriarcas.

O índio não era selvagem em sua própria concepção.
Os negros nunca aquilo fizeram.
Os negros uma raça de reis eram.
Enquanto os "brancos" rastejavam na Europa; quem são?

Quase tudo que você sabe hoje a dominante ensinou.
Adorar um Jesus loiro e de pele clara, aceitou.
Mas Jesus era judeu, pés de bronze tinha
e cabelos como a pele de um carneiro mantinha.

Se a dominante joga–nos o osso,
então devemos esquecer 500 anos de opressão?
Deixa–nos cantar, sorrir, dançar, sendo oneroso.
Depois deixa um marginal à sociedade
adentrar a Universidade por uma seleção.
Mas isto não anula o maior crime da história.

Ver com os olhos livres: a realidade.
Ler por trás das palavras: a iniquidade.
Conquistar dela o que não temos: equidade.
Para saber o significado real da palavra: integridade.

Nenhum de nós é Deus para dizer
quem é bom ou mau no seu viver,
impondo uma verdade a crer,
e punindo a quem seu mandamento não obedecer.


(Primeiros Momentos, 2001)