quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SUJEITO INDETERMINADO


“porque, a rigor, só existe para
 o ser humano uma questão:
- Ser ou não ser traído”
Flor de obsessão, de Nelson Rodrigues.
Disseste–me que era distante,
mas que sentia somente o bastante.
Em mim vias um porto à fama,
um loquaz a quem a maioria ama.

Viste um penetrante com sua retórica.
A gesticulação e o som numa sublime maestria.
O alvo é selecionado conforme a sinfonia.
A glória da conquista só relata a metódica.

Família recatada, comprovei o que me dizias.
Amor e fidelidade sempre prometias.
Um engano, um equívoco, tu te traias.

Traição imaginável, um erro na trama imagino.
Eu, tu e... mais alguém? Se delatou-me consciente da culpa.
Quem? Esse alguém... um amigo.
23/06/99

(Primeiros Momentos, 2001)