sábado, 26 de janeiro de 2013

ESPAÇO E TEMPO


“Onde quer que tu vás, ou dia ou noite
Vai seguindo após ti meu pensamento”
Leito de folhas verdes – GONÇALVES DIAS

Em algum lugar do meu passado torno-me presente
sempre que penso em ti.
Viajo do meu presente, que é o futuro,
para viver (não reviver) essa minha grande e única paixão.
Lá eu te conheço, envolvo e te busco para mim.
Com o meu esforço de ganhar o teu amor, tu me percebes e
começas a sentir o que também sinto por ti.
Perdes-te loucamente por mim
numa avassaladora paixão que não tem fim.
Nos amamos sem medo, sem receios em vão;
nosso amor é sublime, lindo e inimaginável.
Não há nada mais belo que o nosso amor,
mas por infelicidade alguém me acorda e do meu passado,
que era o presente, volto ao futuro
que é agora o meu atual presente.
Tive o meu futuro em algum lugar do meu passado.
Não sei o que fazer para continuar a viver
aquele meu passado que tanto se distancia do futuro.
Não sei se tu existes mais; tua época é passada e a minha é atual.
Vivi o meu futuro no passado que era o teu presente
encaminhando-se para o futuro.
Na realidade tu não existes mais,
por isso sou inconformado e triste.
Infelizmente ainda existo e isso é o que nos separa.
Se eu deixasse de existir, nós nos uniríamos outra vez
num lugar onde não há noção de espaço e tempo?
Deixa-se de ter noção de espaço e tempo
quando se perde a percepção dos sentidos,
anulando a possibilidade de conhecer através dos sentimentos.
E sentimentos... tenho muitos a partir de ti.

(Primeiros Momentos, 2001)