sábado, 26 de janeiro de 2013

MINHA ESPERANÇA


(Ao conto Uma Esperança, de CLARICE LISPECTOR)


A esperança clássica, apesar de ser ilusória, é necessária.
Desperta um sentimento que não tem corpo; tem alma.
É frágil, não suporta pressão nem impaciência, é um inseto!
Ela vai e vem, custa a aprender, não tem lucidez,
mensuração dos fatos, é ingênua.
Trágico é saber o que se vai ser. Não adianta protelar; é realidade.
A esperança é guiada pelos sentimentos,
é o fogo do lar, pode ir aonde quiser.
Se a esperança está ferida, escorre sangue, ela sofre como alguém que diz:
- Cortaram-me o coração;
- Faz-me a alma sangrar.
No pacato mundo da esperança, aparece o antônimo: o desespero.
Agora há um paradoxo; uma eliminará a outra, lei da existência.
As pessoas necessitam da esperança.
Mas o desespero também existe, quer agir, atuar.
Quem merece a esperança?
Quem tem fome existencial para surgir
ou quem tem fome de fé?
Será que não é hora, momento, de agarrar-se à esperança e tê-la
ou deixar alimentar-se um sentimento antagônico à esperança
para o surgimento dele?
A esperança é delicada, é verde, então, o que espera... avance!
 (Primeiros Momentos, 2001)