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ESPAÇO E TEMPO

“Onde quer que tu vás, ou dia ou noite Vai seguindo após ti meu pensamento” Leito de folhas verde s  – GONÇALVES DIAS Em algum lugar do meu passado torno-me presente sempre que penso em ti. Viajo do meu presente, que é o futuro, para viver (não reviver) essa minha grande e única paixão. Lá eu te conheço, envolvo e te busco para mim. Com o meu esforço de ganhar o teu amor, tu me percebes e começas a sentir o que também sinto por ti. Perdes-te loucamente por mim numa avassaladora paixão que não tem fim. Nos amamos sem medo, sem receios em vão; nosso amor é sublime, lindo e inimaginável. Não há nada mais belo que o nosso amor, mas por infelicidade alguém me acorda e do meu passado, que era o presente, volto ao futuro que é agora o meu atual presente. Tive o meu futuro em algum lugar do meu passado. Não sei o que fazer para continuar a viver aquele meu passado que tanto se distancia do futuro. Não sei se tu existes mais; tua época é passad...

MINHA ESPERANÇA

(Ao conto   Uma Esperança , de CLARICE LISPECTOR) A esperança clássica, apesar de ser ilusória, é necessária. Desperta um sentimento que não tem corpo; tem alma. É frágil, não suporta pressão nem impaciência, é um inseto! Ela vai e vem, custa a aprender, não tem lucidez, mensuração dos fatos, é ingênua. Trágico é saber o que se vai ser. Não adianta protelar; é realidade. A esperança é guiada pelos sentimentos, é o fogo do lar, pode ir aonde quiser. Se a esperança está ferida, escorre sangue, ela sofre como alguém que diz: - Cortaram-me o coração; - Faz-me a alma sangrar. No pacato mundo da esperança, aparece o antônimo: o desespero. Agora há um paradoxo; uma eliminará a outra, lei da existência. As pessoas necessitam da esperança. Mas o desespero também existe, quer agir, atuar. Quem merece a esperança? Quem tem fome existencial para surgir ou quem tem fome de fé? Será que não é hora, momento, de ag...

O DESEJO DO AMOR PELA VIRTUDE

Procuro ser teologal; estas três virtudes admiro de coração. Fé, esperança e caridade, uma completa a outra. Eu nasci para sofrer e acreditar na virtude. Sofrer é estar disposto a viver sem recear o que a vida tem para oferecer, mesmo sendo bom ou ruim. Acreditar é agradecer a Deus tudo que se tem, considerando–o o Ser Supremo e não se esquecendo de rogar misericórdias pelos atos falsos. Acreditar é existir, a partir do momento em que se acredita, existe–se. Acredite em sua verdade, que Deus, aos poucos, de maneira paulatina, mostrar-lhe-á a dele. Sou um poeta, um amante, um escritor. Sobrevivo do “nasci porque”. Esse porquê é que me alimenta e veste–me, faz–me sorrir e chorar. Leva–me à dupla personalidade. Me faz levantar todos os dias e eleva–me a Deus em pedido de ajuda, perdão e misericórdia. - Meu Deus, tire o falso oceano de mim! Sofro do mal do século! O desejo é a imaginação em movimento. O desejo é a distância entre dois...

IDEOLOGIA DE VIDA

Amo a vida... antes de tudo. Pois ela é simples, efêmera e inexplicável. Um infinito de sentimentos e coisas. Tudo que está ao meu redor é vida. Tudo que não está também é vida. Com tais premissas, chego a uma conclusão: amar a vida é amar a todos. Então, se amo a vida, sem receios digo: - Eu te amo, pois fazes parte da minha vida. Este é o meu silogismo. ( Primeiros Momentos , 2001)

PESSOA CULMINANTE

                                                                                                                                                   És a ventura predestinada, que renascerá tudo que tenho para executar, para que, em minha partida, saiba o que fiz e realizei... Agora sei que nasci contendo essa ramificação, que é cruzar o teu caminho e, um dia, ser teu parceiro. Minha querida, se nossa paixão não tiver sido escrita, Esculpi -la -emos no abstrato . ( Primeiros Momentos , 2001)

SIMPLES SENTIMENTO

Queres avistar a vida, e a vida é a Lua, simples em ver-se. Mas, para isto, terás que se reencontrar. Terás que mirar para trás do Sol. Esta luz tens que apagar, para que o sorriso volte a brilhar em teu semblante, pois ser Lua é amar, simples sentimento. ( Primeiros Momentos , 2001)

SUJEITO INDETERMINADO

“porque, a rigor, só existe para  o ser humano uma questão: - Ser ou não ser traído” Flor de obsessão , de Nelson Rodrigues. Disseste–me que era distante, mas que sentia somente o bastante. Em mim vias um porto à fama, um loquaz a quem a maioria ama. Viste um penetrante com sua retórica. A gesticulação e o som numa sublime maestria. O alvo é selecionado conforme a sinfonia. A glória da conquista só relata a metódica. Família recatada, comprovei o que me dizias. Amor e fidelidade sempre prometias. Um engano, um equívoco, tu te traias. Traição imaginável, um erro na trama imagino. Eu, tu e... mais alguém? Se delatou-me consciente da culpa. Quem? Esse alguém... um amigo. 23/06/99 ( Primeiros Momentos , 2001)