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CRÔNICA DA GALHOFA: FRANGO, PIPOCA E FAROFA

  Acredito que realidade deve ser aquela cena que ocorre todos os dias diante dos nossos olhos. Penso que realidade seja a “naturalidade” do “transeunte” que observamos cotidianamente. Sendo assim, o real é o que conhecemos porque é a rotina da retina. A escola é um dado real. Saúde, Educação e Segurança também são dados da nossa realidade. O péssimo funcionamento dessas três instâncias, o descaso dos políticos e a corrupção também são dados da nossa realidade. São cotidianos; porém, inaceitáveis. São sons absurdamente indesejados aos ouvidos. Roubos, assassinatos, estupros, tráfico, corrupções são fatos dos poros. O suor também é normal. Tudo isso acontece até quando estamos dormindo de olhos fechados, mas de ouvidos abertos. O suor não cessa seu ofício nem nos dias mais frios. Se algo só existe, se o admitirmos como real, então deveríamos aceitar essas existências para podermos combatê-las. O absurdo precisa ser aceito como audível para voltar, talvez, a ser silêncio. Muit...

NAQUELES DIAS DE ATRASO...

Terça-feira. Olho o celular. São 3h54. Ainda falta meia hora para o alarme despertar e eu me levantar da cama. Às 5h05, pronto, parto de casa. Então, volto a sonhar. Sonho que, antes de viajar, uma senhora, ao portão de sua casa, me diz que preparará, para o almoço, uma apetitosa feijoada. Lamenta minha ausência, pois não poderei provar, naquele momento, sua iguaria. Porém, promete guardar um pouco para mim quando eu retornar, à noite. Desperto. E esse relógio-celular não desperta? 5h02! Salto da cama. Atrasado. O relógio do celular não acordou. Apronto-me de forma descompassada e ligeira. Como viajarei após o almoço, levo a mala e a pasta de trabalho para o carro. Estresse previsto: engarrafamento. Cadê a chave do carro? Ponho a mala e a pasta no chão. Celular no bolso da calça. Volto para casa. Os cachorros se esgoelam, como se vissem um intruso! As chaves, onde as botei? Sumiram. Cinco minutos depois... achei. Volto para o carro. Ponho na mala a mala. Destino: Botafogo. Saindo às 5...

CONSULTA AO ORÁCULO

Espelho, interlocutor ao desencanto, O que se aprende com as derrotas? O que não é seu será sempre do outro. As palavras de contentamento são vazias, Saudação por educação. O que fazer após a derrota? Embriagá-la... Depois... Descansar. Amanhã é outro dia. Amanhã é apenas outro dia. É preciso acordar cedo para trabalhar, Passar um sorriso nos lábios, Maquiar o rosto com pó de alegria. Ninguém tem culpa de seus fracassos. Ninguém merece seu mau humor. Ninguém merece sua grosseria. O que fazer com o sonho sonhado acordado? E a construção de um tempo futuro psicológico? Esquecer o mito? Importa? Voltar à verdade, Atos repetidos do cotidiano. Não temer a zombaria Por conta da pretensa intenção de abandonar a realidade. Espelho, encantador de tristezas, Onde foi o erro? O outro não explica. Quem laureia não se importa. O vencedor quer festejar. A pergunta deve ser introspectiva. Quem pode explicar o fracasso? Como não ...

Lançamento de livro

CONVITE PARA LANÇAMENTO DO LIVRO

MAIS UMA CRÔNICA AO CRUZAR O UMBRAL ETÍLICO

Acho que hoje meu psicológico acordou predisposto para um bom vinho. Feito! Embora manhã, o calor do Rio de Janeiro faz com que, à varanda de onde momentaneamente resido (ou me escondo – isso pois preciso às vezes me reclusar... do outro, de mim... sei lá... sou meio doido). Calor, quase 11h, RJ e vinho? Devo ser louco de pedra mesmo... por um mal-estar físico, ainda que eu alterne o vinho com uma bicada numa taça de água gelada. Está tão quente que minha camisa já transpira, molhando à altura de meu abdômen. Na boa, véi, se minha roupa já sua, nem falo do meu corpo... no entanto, amalucadamente bebo agora um chileno. Sacio a sede do psicológico. Não sou bom bebedor, mas gosto. Casillero del Diablo (carmenere): elixir poético. Ao fundo, algo nada comum aos meus ouvidos... samba. Como sou previsível! Sem querer querendo, ao bel-prazer de aproveitar a piada-notícia da semana do jornal Meia Hora sobre a cobertura da morte do presidente da Venezuela, o sem teto da vila do senhor Barr...

UM EU PÓS-MODERNO

Eu... Eu? Eu? Eu, onde estás? Podes me ouvir? Eu, ascolta-me, por favor! Não me negues-te. Procuro, pois é importante para mim. Pensa o que penso! Aceita, une-te-me! Não sumas em mim! Sejamos juntos nesta viagem, tua perdição, por mim. Por favor, sei que sou frágil e tu, uma rocha. Eu, está comigo nesta empreitada. Sua tez é pura como nuvem úmida. Eu, vê-te-me! Se não sou sua essência, é a minha! Por favor, sinto vida em mim, fogo sólido. Há quanto tempo não sentia... Não te escondas, não faças isso comigo. Somos apenas um no espaço sem limites. sua pele me roça, Eu. Sente comigo. Bem sei que é um pedido que não deve ser realizado, se quero o meu bem. Tu, Eu, sempre me defendeste e guardaste, desde que amadureceras e deixaste de brincar e de te enganares comigo em minhas infantices. Mas, Eu, vê como é divina sua arcádia. Eu aspiro a sua companhia, sua voz a levar-me pelo ar, a negar-me um beijo. Vê... um beijo para q...