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A FLOR DAS INTERCIRCINAÇÕES

Desde que aqui chegamos e habitamos a casa com espírito e corpo, duas grandes samambaias na varanda gritavam aos meus olhos. Não me recordo de ter visto nada semelhante antes. Samambaia com tronco. Tímidos e circinados sobre si mesmos, como um embrião, os ramos dessas samambaias foram se abrindo na cotidianidade de minha presença. Atentando-me cuidadosa e demoradamente, percebi que havia cipós também circinados, mas diferentes. A samambaia escondia uma trepadeira sendo suporte para que ela se mantivesse de pé. E, assim, elas cresciam juntas em direção à luz. Mas, pelo pouco que sei, as trepadeiras disputam com outras plantas e árvores luz solar, água e nutrientes do solo. É como se elas trepassem e sugassem as energias das árvores, que teriam aumentada a probabilidade de morrer. Uma hora, uma sufocará a outra. Enfim. Entro no pub Zolá Bar, 2 boulevard de la Liberté, em Rennes. Sento-me no banco que estava ao balcão. - Boa noite! - Boa noite, meu amigo! O que você vai querer? ...

QUEM NÃO DEVE, TAMBÉM TEME?

  “Uns com tanto, outros tantos com algum, mas a maioria sem nenhum.” Esses foram os versos que escolhi para iniciar a minha participação no Medellin Negro, congresso internacional apoiado pela Universidade de Antioquia e Universidade de Los Andes, em 2016, na Colômbia. Para abordar o tema Crime, Justiça e Literatura, propus uma leitura íntima e bem específica dos pensamentos e das ações de dois personagens. Ainda que os romances sejam distintos, Pastores da Noite e Tenda dos Milagres, esses dois homens escolhidos pertencem ao mesmo mundo amadiano. Certamente, em algum momento não narrado por Jorge Amado, eles estiveram juntos na percussão dos atabaques do sacerdote Procópio de Ogum ou quando este deu obrigação religiosa no famoso escritor baiano. Ou não. Talvez, o encontro tenha sido com Quincas Berro d’Água, no cabaré de Quitéria do Olho Arregalado. Certamente, eles ofereceram um pouco da cachaça que bebiam para Exu. Se os bastidores que a literatura, considerada oficial, não r...

A INVASÃO DOS ESKRULLMÍNIONS E A RESISTÊNCIA DOS ANTI-HERÓIS BRASILEIROS

No início do século XXI, após o encerramento das batalhas da Guerra Civil, os heróis da Marvel se mantiveram divididos em dois blocos: os que apoiavam a causa do Homem de Ferro e os que acreditavam nos ideais do Capitão América. Com o desfecho desses episódios, aparentemente o entendimento passou a reinar entre os dois grupos. Até o momento em que eles descobriram que há anos ocorria uma invasão secreta de alienígenas no Planeta Terra. Era a invasão dos eskrullmínions. E o foco da ocupação era um país da América do Sul, o Brasil. Eles se proliferavam de tal maneira que não dava mais para saber quem era quem, pois a raça desses usurpadores alienígenas tinha a capacidade de metamorfosear sua aparência em pessoas normais, as quais achávamos que conhecíamos. Ainda que tivessem similaridades no perfil das redes sociais - óculos escuro e cara de mau -, não conhecíamos mesmo! Eles estavam apenas escondidos nos armários! Mas como o dedo coçava, lançavam alguns comentários suspeitos nas rede...